

De manhã, fui passear ao jardim
Caminhei...fui andando até
que perdi um sapato.
É verdade, acreditem em mim!
Então não é
que me distraí!
E sabem porquê?
É que havia tantas borboletas
vistosas,
de mil tons, bem coloridas!
Voejavam sobre as rosas,
Dava gosto de ver
Todas muito bem vestidas.
Era dia de festa,
As borboletas festejavam a primavera
e riam riam muito porque eu
por ali o sapato perdera.
Mas eu não me importei que rissem
Os sapatos nem eram meus
foi um amigo que mos emprestou
Mas só queria que vissem
Ai valha-me Deus!
A confusão que ali se gerou!
Já não eram só borboletas,
eram também joaninhas
e também umas abelhinhas
Todo o mundo a comentar
Como é que iriam o dono do sapato achar.
Mas logo chego eu apressado
Com pé descalço, outro calçado
E cansado de caminhar...
Ora bem, não fui eu que perdi o sapato
Ele é que se perdeu de mim
ao atravessar o regato!
E ao chegar ao jardim
havia tanta beleza para admirar
que me deixei neste lugar
e nem sequer dei p'la falta do sapato.
Era tempo de retomar a viagem
Sem olhar a minha imagem
Parti!
Encantado com o bailado
que ali vi.
Descobrir o mundo dos insectos
é o meu passatempo predilecto.
O João é um menino muito interessado p'la natureza, gosta de observar tudo com muito cuidado, mas depois fica tão absorvido com o que seus olhos admiram que esquece tudo o resto, já não é a primeira vez que se esquece, da última ,deixou por lá um caderninho de estórias que pensava partilhar com outros meninos. Ah...mas não desistiu, e,
tanto procura que um dia vai achar
e contar-nos tanta estória de encantar,
bonitas de nos fazer sonhar!
natalia nuno
rosafogo
HOJE É A RITA QUEM CONTA UMA HISTÓRIA, ora escutem com atenção! Psiuuuuu, silêncio, vamos lá ouvir....
Já choram as nuvenzinhas!
Hoje acordaram cinzentas,
birrentas e desataram a chorar.
Com lágrimas tão grandes que como cristais
cairam por terra a brilhar.
Porque choras tu nuvenzinha?
Se ainda há pouco estavas tão branquinha!
Perguntou o Sol que andava ali por perto.
A nuvem estava tristinha
e continuava a chorar...
Um menino com pena dela
Ficou a olhá-la por entre a
cortina da janela.
Até a birra passar.
Logo o Sol apareceu brilhando
e as lágrimas da nuvemzinha
secaram num instante.
UFFFA!!!!
Ainda bem que o choro passou
diz o caracol cansado:
Subi a ladeira dez vezes
sem pôr a casa de lado!
E agora o resultado?
Estou todo, todo encharcado!
Também o corvo apressado
Secou sua asa negra
Para ficar mais brilhante
do que a vizinha toutinegra.
O sapinho não se importou,
até gostou
de na água saltitar!
E o rio ía tão cheio que pensou:
Parece um mar, vou mas é me acautelar
e para a margem saltar.
As borboletas esvoaçavam num rodopio
E até o rouxinol
que tinha perdido o pio,
voltou a cantar, logo que viu o sol.
Ai Jesus quem me acode!
Diz o ratinho a sair da toca
Acuda-me por favor... quem pode?
Já tenho água p'la boca.
Mas nuvenzinhas são agora cordeirinhos
Já não choram, que alegria!
Os dias estão quentinhos
Há azáfama na lezíria.
E todos estão muito felizes!
E ali numa correria andam também as perdizes
Abrem as florzinhas modestas,
tal como a giesta e o alecrim
E nenhuma cheira tão bem como estas
Nem tão pouco as do jardim!
Quando as nuvenzinhas choram, a natureza agradece, as plantas reverdejam, as arvóres sorriem, nasce o milho e o trigo mais depressa e até os frutos crescem docinhos...ora, ora mas os bichinhos têm de se recolher, debaixo das folhinhas. Os insectos mais pequeninos, como a joaninha e o gafanhoto são delicados, os outros animais do campo, tal como o ratinho, ou a toupeira, recolhem às suas tocas que ás vezes se inundam...pobres bichinhos, e os passarinhos? Esses recolhem-se nos raminhos das arvores, como tem o corpo protegido com penas, não sofrem muito. Ah...mas não há nada como um dia de sol, para todos andarem contentes.
Eu também estou muito contente, gostei da estória que a RITA contou, estive com muita atenção, amanhã venho ouvir de novo.
natalia nuno
rosafogo
ERA UMA VEZ... estes versinhos foram criados para um menino diferente que necessita de muito carinho, e que quer ter muitos amigos.
Ergo com esforço meus braços
Tenho meus ossos frágeis delicados
Mas tento dar meus abraços
A quem me dá seus cuidados.
Ás vezes meus lábios tremem
Num movimento impulsivo
Tremem as mãos como se frio tivessem
Não quero parar! Estou vivo!
Quero ir á escola, ter amigos
Não quero ficar esquecido
É para isso que vivo!
Pensam que ando perdido?
Não quero minhas mãos atadas
Sou menino igual a tantos
Contem-me estórias de fadas
Sei-as de cor! São meus encantos.
E quando já fôr maior?
Não posso demorar-me mais!
Também quero ter meu AMOR
Pois sou igual aos demais.
Este poema obteve uma MENÇÃO HONROSA, em 2009 no Concurso de Poesia da APPACDM de SETUBAL.
Poema criado para um menino diferente.
rosafogo
natalia nuno
Que confusão aqui vai!
Diz o João e com razão.
A Aranha estende a armadilha
Para ver se alguém cai
Logo tudo se ensarilha
Ai meu DEUS o que ali vai!
Anda a Libelhinha distraída
a esvoaçar aqui à volta,
como quem anda perdida.
Nem se lembra do Peneireiro
aqui á solta!
O Peneireiro é um passarinho
Que gosta de andar ao sabor da aragem
Lindo! Esvoaça, abrindo a plumagem.
Hoje todo o Mundo parece alvoroçado
Os bichinhos andam no prado
Mas só o Pica-pau assobiava
E o Gafanhoto saltava
Ah...mas o Peneireiro...!
Esse muito saltitava
Entrou devagarinho no celeiro
Do tio JOAQUIM
E encheu o papo,
e depois veio para o jardim
apoquentar os demais!
Mas estava tão feliz
Que até assustou os Pardais.
Um Tordo que por acaso ali passava
Pousou num ramo da cerejeira
Eis quando sem querer
com o pé, a Joaninha esmagava.
Chorou tanto!
Coitada é que lhe fez mesmo doer.
Ficou toda a tremer!!!
Mesmo ali á beira,
O Porco Espinho
Estava ao sol de barriga pró ar
Não deu conta de nada,
quase adivinho...
Que continuou a ressonar!
Escondidinho
numa caminha
de folhas de sabugueiro,
onde dorme o dia inteiro.
HUM!!!
De repente deu-lhe o cheiro
Espetou as orelhas no ar
E pensou:
Ah...este Peneireiro, ainda o vou apanhar!
É que era tal o reboliço!!!!!
Que ninguém podia descansar.
Então!!!!Vamos lá a ver isso!
Caluda, que é a hora da sesta!
Ou o senhor Peneireiro
pensa, que aqui há festa?
Não há tempo a perder
O Ouriço tem razão!
Diz o Tordo, que ainda não conseguiu comer,
as cerejas descansado.
Oh Senhor Peneireiro!!!! Não se faça convidado.
Os frutos são minha dieta
Se o senhor já tem o papo cheio
Vá-se embora...
Deixe a Libelhinha quieta.
Ía a conversa a meio
Sai da gruta um fantasma esquisito
Todos de cabeça no ar...
Que fantasma!!!! Que até sabia voar!
Então quem era?
O senhor Mocho que se dirigia
para a floresta.
E do dia
Já pouco resta!
Cada um vai á sua vida
Que a briga já está esquecida.
Hoje esteve um dia de sol, os bichinhos se divertiram, ás vezes se zangam, porque uns são mais barulhentos, quezilentos, mas depois acabam sendo todos amigos. Agora já todos no campo dormem,
cada um no seu galho, ou no seu cantinho feito de folhinhas fofas, só anda mesmo por aí a Coruja e o Mocho, que de noite se alimentam e por isso saem ao entardecer...ai, ouvi agora um grande estrondo, é um trovão, já sei... vamos ter mau tempo, mas eu sou um Melro muito esperto, vou direitinho ao telheiro do
vizinho Joaquim e lá não apanho chuva.
Meninos vamos todos a recolher, amanhã venho contar outra estória, não percam!
rosafogo
natalia nuno
Era uma vez....
Uma menina que vivia rodeada de flores
Num campo lindo onde os miosotis
Cresciam ...cresciam, deixavam seus odores
E perguntavam à menina:
Mas porque não ris?
Andava ali por perto
Um cantante rouxinol
Mas a vida da menina era um deserto
Quer houvesse ou não o calor do sol.
Um dia as borboletas, também chamadas mariposas
Juntaram-se e combinaram fazer a menina rir
Como perguntam vocês:
Levaram-lhe rosas
abelhinhas para zunir
Até um zangão!
Para lhe adoçar o coração.
Voltearam, voltaram a voltear
Á sua roda, para a menina alegrar.
Eram coloridas as borboletas , de asas
azuis, cor de fogo, amarelas
castanhas, e volteavam sem parar
Mas a menina em vez de rir
continuava a chorar.
Já desesperadas sem saber
que fazer
Foram ao canavial,... e, duma cana
bem verdinha
fizeram uma flauta! Que magia!
Nessa mesma tardinha
a menina se alegrou
Pois o que ela queria?
Era ser bem feliz tocando
e a música saía do seu coração,
as abelhinhas e também as borboletas
E até o zangão...
Dançaram até cansar!
Felizes por esta estória tão bem acabar.
A menina triste, hoje está contente
Vive no jardim onde habita o rouxinol
Aquele cantante, que abre p'la manhã sua goela
E com a companhia do sol
Todos estes bichinhos
São a companhia dela.
A amizade não se compra nem se vende, entrega-se de coração, como se dá uma flor... tal qual o cheiro da flor entra pelas nossas narinas, também a amizade entra em nossos corações.
As flores tratam-se com muito jeitinho e então os amigos? Claro faz-se por merecê-los com pequenos gestos carinhosos e com palavras ditas com sinceridade.
Brevemente conto-vos a estória do menino de olhos aflorados e vivos que tem uma bola de trapos e joga com os outros rapazes lá no largo da igreja, que também se pode chamar o adro da igreja, ali eles, sabem sempre as horas certinhas, pois o relógio da torre da igreja hora a hora vai tocando para toda a aldeia ouvir.
Gostaram da estória? Outras tantas posso escrever e desvendar-lhes muitas coisas que eu sei!
rosafogo
natalia nuno
Já viram bem este coelhinho Zacarias
sempre a fazer rótulos, na expectativa
de não se esquecer...ou então é só para
se entreter!
Hoje á secretária se sentou
Num pincel pegou
e lá se pôs a desenhar!
E o que fez?
Qual de vós quer adivinhar?
Pois eu digo:
Escreveu no rótulo, um, dois, três!
Pôs de lado pegou no telescópio
e pôs-se a mirar...
Eram horas de ir dormir!
Mas como era sábado, deixou-se ficar
Tantos lápis e pincéis para arrumar!
Mas o coelhinho Zacarias gosta de fazer serão
Passa os dias a desenhar
Faz questão,
de não deixar o tempo passar.
Ai Jesus ... que desarrumação!
Pensa o Florentino seu irmão,
que desde pequenino
gosta de tudo no seu lugar.
Mas o coelhinho Zacarias não lhe dá ouvidos
Diz-lhe que vá para o seu quarto
Que os seus apurados sentidos
Estão no auge...
E que de o ouvir já está farto!
Mas os irmãos são amigos
Que não haja confusão!
Quando um necessita
Logo o outro lhe dá a mão.
Bem!!! Agora assomou um passarinho
Ali na janela!
Ah...veio espreitar o Zacarias!
Que correu logo pra ela.
Era um chapim, ou seria um pica-pau?
Mau...mau!!!!
Era mesmo um chapim!
Diz o coelhinho Zacarias:
olha como ele canta tão bem,
só pra mim!
Eu sou um pouco descuidado
Meu irmão diz que sou distraído
Mas gosto de tudo rotulado
Porque sou mesmo esquecido!
Ali dependurado,
tenho um molho de nabiças
E mesmo...mesmo ao lado,
plantei minhas hortaliças.
Então pra não ficar baralhado
Trago tudo rotulado.
Quem gosta de mim assim!
É meu amigo, aceita os meus defeitos
Tal qual o passarinho...o chapim...!
Que me anima com seus gorgeios
Pousado na janela ou nos ramos dos enleios.
Nesta hora passa rente à janela do coelhinho ZACARIAS, uma nuvem muito branca, logo ele
pensa que é um fantasma, já a noite se aproxima e ele sem vontade de se deitar, então pega nos seus pincéis, um , dois, três, e lá começa ele outra vez.
Amanhã? Venho cá de novo para vos contar se ele já arrumou o seu quarto...e por falar em arrumar e os meninos já arrumaram os vossos? Ah....é que só volto quando tudo estiver arrumadinho.
BOA NOITE!
Eu sou a MARIANA e fui eu que acabei de inventar esta estória.
natalia nuno
rosafogo
imagens retiradas da net.
Era um bosque encantado...era!
E nele havia uma fada boazinha
Fazia magia com a sua varinha
Ora magia!!!
Todo o Mundo queria!
Então lhe chamavam fada madrinha.
Tudo transformava com sua mãozinha.
Logo os passarinhos pediam
Um poiso onde dormir
E todos os habitantes do bosque
queriam,
alguma coisa pedir.
E foi tão emocionante!
Fizeram uma manifestação
E logo ali num instante
Se instalou a confusão.
Uns queriam comida
Outros queriam reinar
Pôs-se o pobre do caracol de fugida
por não conseguir aguentar,
é que mora muito rente ao chão!
É o primeiro que vão pisar.
Pegou no cartaz e andou
Coitado ele só pedia,
poder voar!
Daqui a nada
Começa a terra a tremer
E a fada sem aparecer!
Afinal a manifestação deu em nada
Nada lhes pôde valer!
Nem a fada...
Quase a noite a chegar
Os que acreditavam ficaram
Os outros abalaram.
Já nada é perfeição!
Sem a magia funcionar
Diz o rouxinol com emoção.
Todo o Mundo se decepciona,
porque há sempre uma bruxa má
Uma personagem inquietante
É maliciosa já se sabe!
Acaba com a festa num instante.
E assim cada um vai à sua vidinha
E esquece a fada madrinha
Que é sempre boazinha
Mas desta vez, esqueceu-se da varinha.
O sonho vai acabar!
Com ele a história da fada
Ficou o caracol sem asa
E tem de levar, às costas a casa!
Vida de pobre caracol é o mesmo que nada.
Os outros bichinhos não ficaram muito animados
Tinham dado asas à imaginação
todos queriam pela varinha ser tocados
mas acabou a manifestação.
Amanhã há mais!
Manifestação tem de se fazer,
Nunca é demais!
Reivindicar para melhor viver.
E assim no bosque um por todos e todos por um
gritavam a bons pulmões, queremos um prado mais verde, onde chegue a todos o sol, a justiça seja igual para todos, com muita luz, muita água e muita comida por todos distribuida.
Será que a fada lhes concede todos os desejos? Hum!!!! Vamos ver, daqui a pouco é o Inverno a comida escasseia, mas tenham calma, não vão andar à tareia, é preciso tudo aproveitar para não vir a faltar.
Termina esta estória que o contador não soube contar melhor, porque estava muito emocionado
com a força que os bichinhos demonstraram manifestando-se, é que a união faz a força.

natalia nuno
rosafogo