Este blog tem a finalidade de deixar alguns poemas infantis, alguns entraram em Antologias a favor das crianças e foi um prazer enorme criá-los. Sempre que voltar à meninice soltarei por aqui mais um poeminha.
Acho que me vou divertir imenso!
Este poetar faz as minhas delícias...
O Luís e o João São dois amigos inseparáveis O João é brincalhão E o Luís é um dos amigos mais amáveis. O Luís tem um pião E uma guita bem vermelha Uma bola leva o João Mas tem que haver cuidado Não vá partir uma telha. Do telhado ali ao lado. Juntam-se outros amigos que também gostam de brincar Lançam o pião no chão Fazem-no rodopiar na mão. Depois...ah, depois vão a bola chutar. E ver quem mais golos vai marcar.
Logo, logo começa a escola! Em casa fica a bola e o pião... E lá levam na sacola os livros, os cadernos ...e os amigos no coração. Mas do que mais gosta o João É da hora do recreio Toca a sineta e então São dez minutos em cheio. Contam aos amigos as brincadeiras Passadas na aldeia dos avós Das correrias, das canseiras.
Entram na aula e a professora manda baixar a voz. Estão eufóricos é o primeiro dia! Tinham dos outros amigos saudade E é tamanha a alegria! Que a entrada na escola é para eles felicidade. Logo acabam por chegar As férias do Natal... já estão aí! Diz o João a sonhar Que o Pai Natal, desta vez lhe sorri. Já até uma carta lhe escreveu E o Luís outra igual E ao Pai Natal, prometeu Na escola não se portar mal. O João quer um pião Novinho em folha E o Luís uma bola Porque esta está velha e pouco rebola. Um pião bem afiadinho para ser lançado ao chão E um berlinde bem redondinho Para picar o do João.
Depois dos deveres de casa Vão para a rua brincar E só voltam para casa Depois da Lua chegar.
É bom ver o sorriso no rosto destes meninos! E assim acabam os dias destes meninos bem comportados, o seu tempo dá para estudar e brincar, e assim deve ser, há tempo para tudo e é bom aprender. Aprender, com os adultos, os bons modos, a ser educado, a respeitar os mais velhos, ter atenção, ter cuidado. E ter amigos por perto, também é muito bom, partilhar é dar e receber.
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Numa ribanceira pertinho da eira a LAURA tinha um baloiço e nele voava...voava como se asas tivesse. Ainda hoje ao passar, a ouço. Ah...aquela menina era bem ladina! Para quem não soubesse nem ler, nem escrever Ela se apressava a ajudar E com sua mão pequenina lá se punha a escrever e a suspirar!
Escrevia cartas de amor e também de saudade Tinha amigas na flor da idade... Que lhe tinham muita ternura Sendo ela pequenina, como sabia bem escrever e fazer a leitura.
Escrevia, cartas ás vizinhas que tinham os filhos emigrados tão chorosas e tristinhas para os filhos tão amados. Tudo ela fazia com abnegação Pois era bondoso seu coração.
Então sempre começava: Meu filho espero que te encontres bem! Quem te escreve é tua mãe!
Ou então : Meu querido amor Quem te escreve é tua amada e assim a LAURA era muito acarinhada. Por toda a gente da aldeia E ainda hoje, falam dela à boca cheia.
Era uma menina franzina Até mesmo magricela Mas mesmo assim pequenina Todos contavam com ela. Ía á fonte com a cantarinha E levava sempre a rodilha Transportava à cabeça água fresquinha.
Ah...como mãe tinha orgulho na filha!
E o baloiço, continua em sua mente Agora que os anos passaram...
Na aldeia aprendeu a ser gente! Não esqueceu quantos a amaram. A oliveira, lá está no cimo da ribanceira Com as raízes bem pregadas ao chão! Ramos bem fortes, lembrando dias felizes Que a menina do povo não esquece não.
Esta história é apenas um sonho, sonhado há muito, um fragmento duma nuvem espalhada no pensamento, onde correm também avezinhas velozes, onde se avistam cascatas impetuosas, vales de amendoeiras em flor, papoilas brilhando na noite,borboletas de mil cores, andorinhas soltas p'la manhã, onde se assomam as estrelas, onde há cânticos no ar, tudo é visão presente neste sonho. Tudo é fascinação, tudo é um paraíso.Quem contou a história de hoje? A ROSA, claro, amiga da LAURA a nossa personagem da história, com quem dividiu suas brincadeiras. Assim termina mais um regresso á infância simples mas dum tempo dourado.
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Hum!!!! Hoje está um dia muito agradável Corre até uma aragem... E o avô MANUEL está táo amável! Estamos na eira vou andar no trilho agora, que o avô quer despachar o trigo ou será o milho? Vamos a isto, vamos embora! Grita alto o avô... dando ordem á égua que puxa o trilho.
Em pouco tempo, o trigo esmagado Agora falta levantar ao vento Fica o trigo da palha separado Ficará pronto rápido, só mais um momento, há que aproveitar bem o vento. Depois leva-se o trigo ao moinho. Ah...eu também sei o caminho! Gosto de ver rodar a mó Vou lá muitas vezes com a avó! A mó vai transformando o trigo em farinha E ao milho fará a mesma coisa? Quem adivinha? É verdade, também o milho, o moinho o mói. Agora fiquei aqui só! O avô conversa com o moleiro sobre a vida...sobre as colheitas, e como já estão idosos falam também das maleitas. Mas estão muito curiosos Com o que se passa na aldeia, pois não é qua a vida está cara E o povo regateia? Mas eu ainda sou pequena E só penso em brincar Mas às vezes me dá pena E gosto de meu avô acarinhar. Fizémos o caminho pró moinho E agora voltamos p'lo mesmo caminho. Aguarda-nos a égua que a casa nos vai levar O avô olha o relógio Pois está na hora de almoçar. Já a avó ERMELINDA nos aguarda Já lá vem a minha gente!!! ...Grita ela , quando nos avista da janela... Ela gosta de nós...a gente sente!!!! DEUS prometeu e não tardou! E assim meu avô mais uma tarefa terminou. Farinha não faltará, Para fazer nosso pão De trigo ou milho bem amarelinha Para o ano mais haverá! E eu serei maior, levarei a égua sozinha! Entretanto outro Inverno passará, E a avó fará, manteiga com fartura Que o nosso pão besuntará Com a sua ternura.
A ANA, gosta de acompanhar na labuta do campo, ajudando os avózinhos, a colher, a regar e até no trilho andar, com o cabelo ao vento, com a égua a galope, aprende como se corta a lenha para a lareira. Das mãos do avô ressurge o calorzinho contra o inverno...enquanto a avó infatigável, faz doces nutritivos e saudáveis.E tudo se sucede misteriosamente ano após ano, num estável suceder, a água dos ribeiros surge com mais força brincando por entre pedras, cantando sempre a mesma melodia, vai enchendo nossas cântaras para nos matar a sede, até que chega ao final, cumpre seu destino e une-se ao mar imenso. Tudo isto é uma dávida de Deus! E assim termina mais uma história no «Era uma Vez»
rosafogo natália nuno imagem do blog-imagens para decoupage.
Hoje sim...está um belo dia de Verão! Cheira à resina dos pinheiros Mas que frescura matinal Nesta tranquila solidão....
Mas já começa o bulício Saem fumos p'las chaminés! Já hà gentes no seu ofício Todos já tomaram seus cafés.
Meu Deus quantas laranjeiras e tantas trepadeiras! Ah...ali é o feijão-verde a trepar! E lá anda o avô JOAQUIM a regar. Há flores abertas cheinhas de abelhas e nos telhados, bate o sol nas telhas. Em vôo, desaparece um pardal telhado Já se ouvem os trinados E estende-se o orvalho sobre o prado e sobre os silvados...
Há um alvoroço grande nos arbustos E melodias constantes que não dão sossego São os rouxinóis, que levam grandes sustos Mas têm p'la lezíria grande apego.
E o avô JOAQUIM já regou o pomar Com água que tirou do poço Leva vegetais frescos para o jantar E também os comeu ao almoço. O que se passa? É o dia que se ilumina! Depressa começa... e eu sou ainda uma menina que de viver tenho pressa. Vou ter ao pomar com o avô e levo-lhe o meu sorriso e boa disposição. Ah...eu hoje feliz estou A minha avó, me leva pela mão.
Há sempre muitos afazeres no pomar, cuidar com carinho dos vegetais, regá-los com água do poço ou do rio. Os vegetais que se plantaram estão a crescer, pimentos, alfaces, cebolas, feijão verde, favas, ervilhas, cenouras, e tantos outros que fazem bem á saúde...são bem gostosos quando se colhem e se comem de imediato, bem fresquinhos. O avô Joaquim, trata-os com muito cuidado, levanta-se cedo e lá vai...escuta os chapinhares dos passarinhos a banharem-se no ribeiro, para ele nada é mistério, sabe tudo sobre a natureza. Já foi criança veloz, mas agora correram os anos por ele. No entanto o avô JOAQUIM tem boa memória e lembra-se de ir ter com seu avô, que por sinal também se chamava JOAQUIM, então, comia a fruta das árvores, naqueles tempos não tinham pesticida... o avô JOAQUIM gostava muito de ameixas, douradinhas pelo sol, e depois ajudava seu avô, foi assim que aprendeu... termina aqui mais uma história no «Era uma vez...»
Tenho uma janela Onde entra o Sol E pendurada nela Tenho a gaiola com meu rouxinol.
Ali perto, mesmo à beira Coloquei um vaso com uma sardinheira Noutro vaso um amor perfeito De vez em quando abeiro-me e espreito.
Vejo toda a aldeia e o relógio da torre e o sino que toca tão triste...sempre que alguém morre. Perto da hora da ceia?! Toca as Avé Marias E nunca se esquece, Toca-as todos os dias!
Lá vem a minha vizinha Vejo- a daqui da minha janela Quando ela se aproximar Falo um pouco com ela. É bom sermos amigas, das mesmas coisas gostar. Vamos as duas à fonte Enchemos a cantarinha Olhamos o horizonte Quando o sol se deita na sua caminha.
Depois regresso à minha janela Recollho o rouxinol Chega a lua e eu espero por ela Já se foi entretanto embora o sol. Rego também a sardinheira, de seguida o amor perfeito, e o gato ciumento deita-se à minha beira, para que lhe dê mimos, Ah...este gato não ganha jeito!
Já tudo está bem sossegado Nesta aldeia tão amada! Só o gato a meu lado... E eu na janela debruçada. Amanhã chegará o sol Que me entrará p'la janela Coloco de novo aqui o rouxinol Volto a olhar a aldeia, e a beleza que vejo nela.
Boas vistas se disfrutam da nossa aldeia, os arrozais bem verdinhos, os milheirais, o sol a nascer, a fonte a correr, as casas caiadas de branco com risquinha azul ou amarela, aqui da minha janela tudo se avista, por isso mesmo, quando vou à cidade, volto sempre aqui com muita saudade... Assim acaba a história no era uma vez...com um final feliz!
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Hoje dei uma voltinha à beira do rio, A água caía certinha p'lo açude, cantando ao desafio. Ao chegar lá abaixo, esperavam-na dando saltinhos as enguias, escorregadias....
Mais além nas margens verdejantes andavam uns verdinhos veraneantes os sapinhos de papo inchado! Que cantavam...cantavam de olhinho fechado.
Caminhei mais um pouco, já o sol aquecia Todos andavam na faina do dia. O caracol, era o mais vagaroso, lá ía
no seu andar lento.
Enquanto o pintassilgo abria as asas ao vento.
Logo ali no milheiral, um som esquisito! Ninguém lhe tinha feito mal, mas a rolinha deu um grito. Assustada por ouvir um estalar profundo Nada mais que um foguete! Mas apanhou o susto maior do mundo.
Ao longe a ponte que atravessa o rio E um casal de melros cantando ao desafio. E a água sempre a correr Galgando por entre o arvoredo Vejo um passarinho a tremer... Saíu do ninho e está com medo. Está a tarde iluminada Imponente, de sol ardente! Mas vem a noite daqui a nada E lá se ouve o galo de alta crista Mandar dormir toda a gente.
E eu volto a casa, por entre as macieiras E imagino-me num intenso voar Já ouço as cigarras cantadeiras Sinto a pele dos meus sonhos a estalar E lá sigo com o olhar Os passarinhos descobrindo onde prenoitar. Um está mesmo aqui defronte Bem pousado numa espiga Outro vai a caminho do monte Já se aproxima a Lua amiga. O rio sonha que vai longe, mas está perto! Cai a noite e é tanta a quietude que tudo parece um deserto.
Sente-se no ar vinda do rio uma humidade Caminho agora num silêncio macio Já levo saudade, das margens do rio, onde a vida é tanta, que me encanta.
A Luisinha, acabou assim o passeio diário e contou-nos como foi seu caminhar, tudo o que apreciou enquanto passeava. Nas margens há belas sombras, e a nossa presença tem que ser silenciosa para não afectar o habitat dos que ali vivem. Também a avó da Luisinha se recorda muito bem dos aromas da infância, das amoras maduras, das uvas amadurecidas, de banhar-se alegremente no rio...assim se desenrolou mais uma história no... «era uma vez...»
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Hoje a abelhinha andou por aqui mas estava triste...e porquê?
Dizia ela: Ficou o céu cinzento e lá se foi meu alento... Ando aqui de flor em flor Mas sinto falta do sol e seu calor.
Logo a rã respondeu;
Eu estou fresquinha Não me importo nada! Apanhei esta chuva miudinha Hum!!! E estou muito animada! Tinha a pele ressequida Do calor deste verão Tinha que andar fugida Á sombra do mangericão.
Chegou o louva a deus e ouvindo a conversa também entrou nela.
Eu cá por mim tanto se me dá Mas assim está melhor! O vento abana o raminho para cá e para lá... e eu durmo um soninho, descansado e sem calor.
Logo vem a cigarra cantadeira
Não dormes não! Dorminhoco Que eu canto a minha canção Ainda hoje cantei tão pouco! Ah...mas vou cantar até de madrugada! E vou começar daqui a nada.
Logo o grilo de preta asa chega por ali perto e não se contém Meus amigos, o tempo vai e vem! Hoje, está triste como eu E cai uma chuvinha do céu Mas haja esperança Que ainda o verão é uma criança! Eu vou até à lezíria onde tudo é verde Mato a minha sede... E se amigos por lá encontrar? Nem sei se vou voltar!
Mas o tempo não mudou e todo o dia esteve cinzento E meu DEUS, quanto lamento! Na seara todos estão tristes a valer Será que não volta o calor para os aquecer? A abelhinha quer fabricar seu mel Que é o melhor das redondezas A cigarra quer cantar E o grilo saltar e correr... cometer grandes proezas.
Surge então a borboleta de mil cores...bem colorida. Dizendo maravilhas da vida. Ah...venho de longe a esvoaçar... trago até uma novidade! O sol amanhã vai voltar Para os que já têm saudade.
E lá ficaram todos muito felizes, tornando a tarde ensurdecedora com seus cantos e no céu as nuvens pareciam pedaços de prata. Ainda não está o sol a descoberto, mas os nossos amiguinhos só de saberem que ele vai voltar, seguem pelo verde campo docemente humedecido por uma chuvinha de verão. Assim acaba mais uma história...era uma vez!
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